Cada vez é mais comum falar de sustentabilidade na horticultura. Mas, na prática, num viveiro, a pergunta é outra: o que implica realmente trabalhar com materiais reciclados e recicláveis?
Para lá da mensagem, o impacto está na forma como os recipientes de cultivo são concebidos, utilizados e recuperados. Hoje, por ocasião do Dia Mundial da Reciclagem, vamos refletir sobre isso.
Nem todo o plástico é igual
No dia a dia do viveiro, os recipientes estão sujeitos a: exposição contínua ao sol, regas frequentes, manuseamento constante e transporte.
Por isso, quando se fala de materiais reciclados, um dos principais desafios é manter o desempenho técnico: resistência, estabilidade e durabilidade.
É aqui que entram em jogo o design do produto e a qualidade do material reciclado utilizado.
Material reciclado vs. produto reciclável
São dois conceitos que muitas vezes se confundem, mas não são a mesma coisa:
- Material reciclado: o produto é fabricado a partir de resíduos plásticos recuperados
- Produto reciclável: o recipiente pode ser reincorporado no ciclo no final da sua vida útil
Para avançar para um modelo mais circular, ambos os fatores devem verificar-se em simultâneo.
Uma das vias mais difundidas é a utilização de plástico proveniente do contentor amarelo (material pós-consumo). Este tipo de matéria-prima permite tanto reduzir o uso de plástico virgem como dar uma segunda vida a resíduos já gerados; além disso, é possível manter aplicações técnicas se o processo estiver bem controlado.
No entanto, introduz variáveis como a variabilidade da cor ou a necessidade de ajustar formulações para assegurar o comportamento mecânico.
Num viveiro, a sustentabilidade não depende apenas da origem do material.
Também influencia: a capacidade de reutilização do recipiente, a sua resistência ao longo de vários ciclos e o seu design para facilitar a reciclagem posterior
Um recipiente que dura mais tempo já está a reduzir o seu impacto.
Como saber se um produto é realmente reciclável?
É aqui que entram as certificações.
Entidades como a Cyclos-HTP avaliam a reciclabilidade real dos produtos, tendo em conta: composição do material, facilidade de triagem e compatibilidade com os processos de reciclagem existentes.
Para o profissional, isto fornece um critério objetivo para lá da declaração do fabricante.
A reciclagem no viveiro não depende apenas do fabricante. Também intervêm a gestão interna de resíduos, a separação de materiais e a colaboração com operadores autorizados.
É um processo partilhado em toda a cadeia.
Da teoria à prática: soluções já disponíveis
RR100%: reciclado e reciclável como padrão
Esta abordagem já está a ser aplicada no mercado através de diferentes soluções.
Uma das linhas de desenvolvimento no setor é o fabrico de recipientes com plástico 100% reciclado e, por sua vez, 100% reciclável.
Esta abordagem permite reintroduzir resíduos plásticos diretamente no processo produtivo, reduzir o consumo de matéria-prima virgem e garantir que o produto possa voltar a ser reciclado no final da sua vida útil.
Neste contexto, a certificação assume especial importância.
Algumas gamas, como a RR100% da Alber, contam com certificação Cyclos-HTP, que avalia a reciclabilidade real do produto dentro dos sistemas existentes.
Isto oferece uma garantia adicional: não só o material é reciclado, como foi concebido para voltar ao ciclo.
Para lá de 17 de maio
O Dia Mundial da Reciclagem serve para colocar o foco, mas no setor viveirista o desafio é diário:
produzir de forma eficiente, reduzindo o impacto sem comprometer o cultivo.
A utilização de materiais reciclados e recicláveis é uma das ferramentas disponíveis, mas a sua eficácia depende de como são integrados na operação real do viveiro.